sexta-feira, 20 de março de 2015

DEPENDÊNCIA - Miramez.

0474/LE
A palavra possesso é apenas força de expressão, de sorte a entendermos uma profunda simbiose de dois Espíritos que se afinizam. Os dois têm muito em comum, igualdade de sentimentos nos seus roteiros percorridos e a percorrer.
Existem as sessões de desobsessão nas casas espíritas, muito válidas; no entanto, é preciso que se entenda que o primeiro a ser educado é o encarnado. Ele haverá de promover para seu bem-estar, mudanças nos seus sentimentos mais profundos. Existem os pensamentos secretos que alimentamos e que temos prazer de sentir, e são eles que criam uma linha de comunicação com os Espíritos das trevas, a nos induzirem para a possessão.
A possessão é capaz de tirar devagarinho a nossa consciência, cedendo lugar a uma consciência estranha a dominar nossa vida. Em muitos casos, ficamos dependentes de maneira profunda da companhia de entidades espirituais.
Muitos dizem que os verdadeiramente possessos ficam completamente inconscientes, mas, não é assim. Ninguém, por lei espiritual, rouba a consciência do outro. Nas profundezas dos pensamentos está a liberdade de pensar; no entanto, podemos encontrar a resistência dos que nos dominam pela compatibilidade de idéias más, repetimos, nunca caímos em inconsciência total.
Quando, por vezes o encarnado parece estar em inconsciência, como vulgarmente se fala, o Espírito se encontra ativo; no entanto, a alma se encontra sem condições de se expressar, por deformidade ou desequilíbrio do aparelho carnal.
Em se falando de dependência, encontramos pessoas encarnadas, uma dependente da outra, em muitas circunstâncias e, às vezes, se demoram neste processo, uma esperando da outra, para se completar e viver.
É falta de personalidade, é falta de equilíbrio emocional.
Cada consciência é um mundo diferente, que deve ter sua independência espiritual. É neste sentido que Jesus diz: - “Conhecereis a verdade e ela vos tornará livres”. Precisamos conhecer a verdade ou, pelo menos, nos esforçarmos para tal, para que a liberdade possa chegar, mesmo devagarinho, para a nossa felicidade. Bem sabemos que os elementos nobres não se misturam, e essa nobreza espiritual haverá de ser conquistada pelas almas, para que elas não atraiam companhias inferiores.
Existem certas provações que nos parecem possessões, dado o corpo vir com certas deficiências, de modo que a fraqueza leva a criatura a ser dominada pelos Espíritos equivocados. Como já tem a alma muitos inimigos do passado, ela sofre a influência desses companheiros que ainda residem nas sombras.
Tu tens um corpo e deves cuidar dele. Faze dele teu conhecido, porque um corpo fortalecido com uma mente dotada de conhecimentos espirituais, terá a facilidade de resistência, bem maior, para que possas te libertar dessas companhias indesejadas. Lança mão da fraternidade, aquela que não desconhece o amor, no sentido da caridade circular em teu coração. Não julgues a ninguém, não calunies teus companheiros e nem ofendas aos teus semelhantes.
O tempo é curto para consertarmos a nós mesmos, e se empregarmos esse tempo para vigiar a vida alheia, ficaremos envolvidos no próprio mal dos outros e passaremos a sofrer as conseqüências de todos os males que ideamos. Foge de toda a dependência, a não ser a de Deus, que o Cristo nos ajudará nos processos de libertação do mal que se aproximar de nós.
Livro: Filosofia Espírita – Volume X
João Nunes Maia – Miramez.
Estudando O Livro dos Espíritos – Allan Kardec.
474. Desde que não há possessão propriamente dita, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsidiada ao ponto de a sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada?
Sem dúvida, e são esses os verdadeiros possessos. Mas, é preciso saibas que essa dominação não se efetua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por desejá-la. Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos.
A.K.: O vocábulo possesso, na sua acepção vulgar, supõe a existência de demônios, isto é, de uma categoria de seres maus por natureza, e a coabitação de um desses seres com a alma de um indivíduo, no seu corpo. Pois que, nesse sentido, não há demônios e que dois Espíritos não podem habitar simultaneamente o mesmo corpo, não há possessos na conformidade da idéia a que esta palavra se acha associada. O termo possesso só se deve admitir como exprimindo a dependência absoluta em que uma alma pode achar-se com relação a Espíritos imperfeitos que a subjuguem.

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